Sustentabilidade no transporte rodoviário europeu: passos práticos sem alta tecnologia
O setor logístico reconhece a necessidade de descarbonizar o transporte rodoviário, mas nem todas as empresas podem investir em camiões elétricos, telemática e IA. Felizmente, há muitas medidas simples e mudanças comportamentais que reduzem significativamente emissões e custos...

Logifie Team
Especialistas em tecnologia logística

Os intervenientes da logística reconhecem a necessidade de descarbonizar o transporte rodoviário, mas nem todas as empresas podem investir em camiões elétricos, telemática e IA. Existem, porém, muitas ações de baixo custo e mudanças comportamentais que reduzem de forma expressiva as emissões e os custos operacionais. Este artigo resume medidas práticas que frotas e expedidores podem adotar já, sem grandes investimentos.

Porque a sustentabilidade importa
O transporte e a logística representam cerca de 25 % das emissões globais de carbono (Ct Global Freight Audit, 2023). O transporte rodoviário é o principal contribuinte e as emissões crescerão sem ação. Reduzi-las melhora a qualidade do ar, baixa a fatura de combustível e reforça a reputação.
Passos práticos para um transporte mais verde
- Eco-condução. Formar condutores para acelerar suavemente, manter velocidades constantes, antecipar o trânsito e evitar ralenti desnecessário gera poupanças. Pressão correta dos pneus e menor uso do ar condicionado também aumentam a eficiência.
- Manutenção regular. Afinação de motor, substituição de filtros de ar, alinhamento e lubrificantes de baixa viscosidade reduzem o consumo. A manutenção preventiva minimiza avarias e prolonga a vida útil.
- Otimização e consolidação de carga. Encher camiões e combinar envios reduz viagens em vazio. Acordos de backhaul ajudam a casar volumes e capacidade.
- Planeamento de rotas. Mesmo sem IA, é possível escolher rotas com menos congestionamento e declives. Conduzir à noite pode reduzir o consumo ao evitar o trânsito.
- Combustíveis alternativos e misturas. Biocombustíveis como biodiesel ou HVO reduzem o CO2 em 50-90 % face ao gasóleo. Embora mais caros, não exigem alterações nos motores e são uma ponte para a eletrificação.
- Transporte intermodal. Combinar rodovia com ferrovia ou short-sea reduz quilómetros de camião e emissões. O comboio emite menos CO2 por tonelada-quilómetro, adequado para longas distâncias.
- Embalagem e equipamentos leves. Reduzir o peso de paletes e embalagens baixa o consumo. Paletes reutilizáveis e embalagens retornáveis reduzem resíduos.
- Envolvimento e incentivos ao condutor. Programas de incentivo à condução eficiente promovem mudança de comportamento. Feedback via recibos de combustível e dashboards simples ajuda a monitorizar desempenho.
- Colaborar na cadeia. Partilha de dados de volumes e horários permite planear rotas eficientes e reduzir viagens em vazio.
Casos e evidências
- Benefícios da eco-condução. Programas mostram reduções de 5-15 % no consumo. O ICCT refere poupanças até 0,15 litros por quilómetro (Ct Global Freight Audit, 2023).
- Veículos eficientes. Atualizar para Euro 6 e instalar dispositivos aerodinâmicos reduz o consumo em 5-10 %; pneus de baixa resistência acrescentam ganhos (Ct Global Freight Audit, 2023).
- Combustíveis alternativos. HVO oferece fortes reduções de CO2 sem alterações no motor. A Comissão Europeia incentiva combustíveis sustentáveis e intermodalidade para cumprir metas (Ct Global Freight Audit, 2023).
Conclusão: pequenas mudanças, grande impacto
A sustentabilidade no transporte rodoviário nem sempre exige alta tecnologia. Medidas operacionais simples - eco-condução, manutenção, consolidação e planeamento - reduzem emissões e custos. Explorar biocombustíveis e intermodalidade amplia os benefícios. Com o envolvimento dos condutores e colaboração na cadeia, as empresas avançam na descarbonização e preparam-se para as tecnologias futuras.
Fontes
Why is Reducing Carbon Emissions in Transportation and Logistics Important? (Ct Global Freight Audit, 2023) - Indica que até 90 % das emissões podem ter origem na cadeia de abastecimento e que transporte/logística representam quase 25 % do total. Aponta passos: eco-condução, planeamento, intermodalidade, combustíveis alternativos e eficiência da frota.